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C2LJ PERFORMANCE+

Do Pasto ao Cocho: Por Que a Análise da Sua Forragem Deve Definir a Escolha da Ração

Cavalos se alimentando de feno em fardo no pasto

Na rotina da maioria dos centros de treinamento e criatórios, a escolha do concentrado costuma ser a primeira decisão tomada pelo proprietário ou treinador. Compara-se a porcentagem de proteína bruta no rótulo, a indicação de um parceiro de pista ou a marca em evidência comercial.

Contudo, na nutrição de precisão de equinos, a ordem lógica e fisiológica é inversa: o concentrado existe para suprir com exatidão o que a forragem não consegue entregar.

Sem conhecer a qualidade, a umidade e a composição bromatológica do volumoso — e sem exigir consistência e previsibilidade no concentrado —, qualquer planejamento nutricional torna-se uma aposta arriscada para a saúde do cavalo atleta.

1. O Conceito Fundamental: Nutrição se Calcula em Matéria Seca (MS)

O primeiro erro clássico de manejo é avaliar o fornecimento alimentar apenas pelo peso “in natura” (na balança da cocheira) e não pela Matéria Seca efetiva.

  • O que é MS: É a fração do alimento que sobra após a remoção total da água. É nela que residem as calorias, aminoácidos, minerais e vitaminas.
  • A variação prática: Um cavalo em pastagem fresca ingere um alimento com 75% a 85% de água (apenas 15% a 25% de MS). Já um feno de gramínea bem curado apresenta cerca de 85% a 90% de Matéria Seca.
  • A regra fisiológica: O cavalo adulto necessita de um consumo diário de MS total entre 1,8% e 2,5% do seu peso vivo, sendo que a base forrageira deve compor a maior fatia dessa ingestão.

Ignorar a MS resulta em subestimar ou superestimar drasticamente o aporte de nutrientes diários, desregulando toda a fermentação cecal.

2. A Forragem Não É Toda Igual: O Diagnóstico Bromatológico

Antes de definir o que vai para o cocho, é indispensável diagnosticar a qualidade da base volumosa:

Parâmetro Bromatológico Impacto Fisiológico no Cavalo Atleta
Fibra em Detergente Neutro (FDN) Limita a capacidade de ingestão diária. FDN excessiva sinaliza forragem colhida tardiamente, muito lenhosa e de baixa digestibilidade.
Fibra em Detergente Ácido (FDA) Mede as frações menos digestíveis (celulose e lignina). Quanto maior a FDA, menor a energia líquida disponível para o animal.
Proteína Bruta (PB) e Minerais Leguminosas (como a alfafa) aportam alta densidade proteica e cálcio; gramíneas tropicais entregam perfis distintos de carboidratos estruturais e fósforo.

A pergunta correta não é “Qual é a ração com maior teor de proteína?”, mas sim: “Qual déficit nutricional específico a minha forragem atual apresenta para a exigência desta categoria?”

3. A Escolha do Concentrado: O Papel Crítico da Fórmula Fixa e do Amido Seguro

Uma vez diagnosticada a forragem, o concentrado entra para fechar a conta calórica e mineral. No entanto, de nada adianta balancear a dieta na teoria se o concentrado variar a cada lote.

Dois fatores são determinantes para a segurança e alta performance:

A) Fórmula Fechada vs. Eventuais Substitutivos

Muitas rações comerciais utilizam uma lista extensa de “eventuais substitutivos” na composição. Isso significa que os ingredientes variam conforme a oscilação de preço de mercado das matérias-primas.

  • O perigo da variação de lote: O trato digestivo do cavalo e a sua microbiota cecal demandam estabilidade. Alterações sutis de ingredientes no concentrado funcionam como trocas abruptas de dieta, predispondo o animal a disbioses, acidose e cólicas.
  • A vantagem da fórmula fixa: Rações de fórmula fechada garantem padronização rigorosa de ingredientes e nutrientes ao longo do ano, mantendo o ambiente intestinal equilibrado.

B) Controle e Indicação dos Níveis de Amido

O amido é uma excelente fonte de energia de rápida utilização para cavalos em esforço anaeróbico (como provas de velocidade e salto). Porém, a capacidade enzimática do intestino delgado de digerir amido é limitada.

  • Sobrecarga de amido (Starch Overload): Quando o nível de amido ultrapassa a capacidade digestiva do intestino delgado, ele atinge o ceco e o cólon, sofrendo fermentação rápida. O resultado é a queda drástica do pH cecal (acidose), morte bacteriana, liberação de endotoxinas, laminite e cólicas.
  • Transparência nutricional: Rótulos que indicam com clareza o nível seguro de amido e priorizam fontes energéticas combinadas permitem ao veterinário calcular dietas com precisão, respeitando o limite seguro recomendado pela literatura de no máximo 1 g de amido por kg de peso vivo por refeição.

Conclusão: Eficiência Nutricional com Ciência e Segurança

A alta performance sustentável não aceita improvisos. O manejo nutricional moderno exige a leitura criteriosa da forragem em Matéria Seca aliada à escolha de concentrados de fórmula estável, transparentes nos teores de amido e formulados para respeitar a fisiologia digestiva do equino.

Diretriz C2LJ: Nutrição de precisão começa pelo diagnóstico do pasto/feno e se consolida com a previsibilidade do que entra no cocho.

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